Ébola expande-se para duas novas províncias na República Democrática do Congo – Correio da Kianda

O surto de Ébola na República Democrática do Congo continua a alastrar-se e já atingiu duas novas províncias no nordeste do país, elevando as preocupações das autoridades sanitárias e da Organização Mundial da Saúde (OMS) quanto à capacidade de contenção da doença.

De acordo com o mais recente relatório do Instituto Nacional de Saúde Pública congolês, as províncias de Haut-Uele e Tshopo passaram a integrar oficialmente as zonas afetadas pela epidemia. Até 11 de Julho, o país contabilizava 1.926 casos confirmados de Ébola e 702 mortes.

Na província de Tshopo foram registados quatro casos confirmados, incluindo dois óbitos, enquanto Haut-Uele confirmou uma morte associada à doença. As investigações indicam que os casos tiveram origem na zona de saúde de Niania, na província de Ituri, epicentro do actual surto, mas as autoridades decidiram classificar ambas as províncias como zonas epidémicas devido ao risco de transmissão.

O atual surto, o 17.º registado na história da República Democrática do Congo, foi declarado oficialmente a 15 de maio e concentrou-se inicialmente em Ituri, antes de se expandir para as províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul. Com a inclusão de Haut-Uele e Tshopo, aumenta o número de regiões afetadas pela doença.

A OMS alertou recentemente que a dimensão real da epidemia poderá ser entre duas e quatro vezes superior aos números oficiais. A preocupação resulta do facto de cerca de 80% dos novos casos não apresentarem qualquer ligação conhecida a doentes anteriormente identificados, o que sugere uma transmissão silenciosa em várias comunidades.

O Ébola é uma doença viral grave que se transmite através do contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados. Entre os sintomas mais frequentes estão febre alta, vómitos, fraqueza intensa e hemorragias internas e externas. A rápida identificação de casos, o rastreio de contactos e o isolamento dos doentes continuam a ser as principais estratégias para travar a propagação do vírus.

A expansão do surto ocorre numa altura em que o país enfrenta dificuldades na resposta sanitária, agravadas por conflitos armados em algumas regiões do leste congolês, desafios logísticos e limitações na vigilância epidemiológica, fatores que têm dificultado os esforços para controlar a epidemia.

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