O jurista e analista político David Mendes acusa a direcção do Sindicato Nacional dos Professores (SINPROF) de transformar as reivindicações dos professores numa disputa de natureza política, ao ameaçar condicionar o arranque do próximo ano lectivo.
Em declarações este sábado à Rádio Correio da Kianda, David Mendes considerou que a posição assumida pelo secretário-geral do SINPROF representa uma forma de pressão sobre o Estado e defendeu que as questões relacionadas com a educação devem ser tratadas como assuntos de Estado e não apenas como um conflito entre o sindicato e o Governo.
“O problema não é do Governo, o problema é do Estado”, afirmou o jurista, acrescentando que o Executivo, enquanto representante do Estado, não deve aceitar aquilo que considera uma tentativa de chantagem.
David Mendes questionou igualmente a decisão do SINPROF de ameaçar condicionar o início das aulas, em vez de avançar com uma greve nacional, caso as reivindicações dos professores não sejam atendidas.
Na sua análise, a existência de professores ligados ao ensino privado, com diferentes condições laborais, pode dificultar a realização de uma paralisação de carácter nacional.
O jurista foi ainda mais longe ao afirmar que a actuação da liderança sindical pode estar a ser influenciada por interesses políticos, considerando que as reivindicações dos professores não devem ser utilizadas como instrumento de disputa política.
A posição de David Mendes surge na sequência da ameaça do SINPROF de condicionar o arranque do ano lectivo, num contexto de reivindicações dos professores relacionadas com as condições de trabalho e outras questões do sector da educação.