Angola pede à ONU para colocar educação no centro da resposta à crise no Sudão – Correio da Kianda

Angola defendeu, em Nova Iorque, que a protecção da educação deve ocupar um lugar central na resposta internacional à crise no Sudão, considerando o sector um investimento estratégico para a paz, a estabilidade, a recuperação e a reconstrução do país.

A posição foi apresentada pelo representante permanente de Angola junto das Nações Unidas, Francisco da Cruz, durante uma reunião em Fórmula Arria do Conselho de Segurança da ONU, subordinada ao tema “Salvaguardar a Educação no Sudão: investir na paz, na recuperação e na estabilidade”.

Na sua intervenção, o diplomata angolano alertou para o impacto devastador do conflito sobre o sistema educativo sudanês, marcado pela destruição de escolas, deslocamento de professores e interrupção prolongada das aulas.

Para Angola, a crise educativa no Sudão já ultrapassa a dimensão humanitária e passou a representar também um problema de protecção, paz e segurança, sobretudo pelos riscos a que ficam expostas milhões de crianças afectadas pelo conflito.

Francisco da Cruz advertiu que a interrupção da educação aumenta a vulnerabilidade das crianças ao recrutamento e utilização por grupos armados, à violência sexual, à exploração, ao trabalho infantil e ao casamento precoce.

O diplomata considerou ainda que a perda prolongada do acesso à escola compromete o futuro do próprio Sudão, ao limitar a formação do capital humano necessário para a reconstrução das instituições, a recuperação económica, a reconciliação nacional e o reforço da coesão social.

Perante este cenário, Angola defendeu quatro áreas prioritárias para tornar mais eficaz a resposta internacional à crise educativa sudanesa.

A primeira passa pelo reforço do respeito pelo Direito Internacional, com o apelo à cessação imediata dos ataques contra escolas e pessoal docente e à preservação do carácter civil das instituições de ensino.

A posição angolana enquadra-se na defesa do multilateralismo e dos princípios da Carta das Nações Unidas, que Luanda tem reiterado nas suas intervenções no Conselho de Segurança.

Para Angola, garantir o funcionamento seguro das escolas não deve ser visto apenas como uma resposta à emergência humanitária, mas como uma medida essencial para criar condições para a paz e para a reconstrução do Sudão.

A aposta na educação é igualmente apresentada como uma forma de proteger as crianças dos efeitos prolongados do conflito e de preservar as bases humanas necessárias para a recuperação do país após a guerra.

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