A recuperação das acções da Unitel na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA), após a forte desvalorização provocada pelo ataque cibernético contra a operadora, é vista pelo economista Pedro Cajama como um sinal animador para o mercado de capitais angolano.
As acções da Unitel voltaram a valorizar-se e passaram a ser negociadas acima dos 40 mil kwanzas, registando uma valorização de 25% face ao fecho anterior.
Para Pedro Cajama, a recuperação está directamente relacionada com os últimos pronunciamentos do presidente do Conselho de Administração da Unitel, Aguinaldo Jaime, sobre o restabelecimento dos serviços e a retoma das operações da empresa em todo o território nacional.
Segundo o economista, as informações transmitidas pela administração da operadora contribuíram para tranquilizar os investidores e reduzir as preocupações provocadas pelo ataque cibernético.
“O que está a se verificar hoje é uma subida ou valorização das acções da Unitel, e é movida pelas últimas informações avançadas pelo PCA da empresa sobre a recuperação de todos os serviços e o restabelecimento das operações em todo o território nacional”, afirmou.
Pedro Cajama considerou que a recuperação dos títulos representa uma informação positiva para os investidores que, perante a instabilidade provocada pelo ataque, ponderavam desfazer-se das suas participações.
Na perspectiva do economista, a valorização das acções da Unitel constitui igualmente um sinal de confiança no mercado de capitais angolano, numa altura em que a operadora protagoniza uma das maiores operações de dispersão de capital realizadas na bolsa nacional.
O Estado angolano arrecadou 300,3 mil milhões de kwanzas com a venda de 15% do capital da Unitel, através do Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE).
A operação foi realizada ao preço de 40.040 kwanzas por acção e registou uma procura que superou a oferta em 120 vezes. Foram colocados à venda 7,5 milhões de títulos, enquanto a procura atingiu 9.054.299 acções, de acordo com dados divulgados pela BODIVA.
Das 17.549 ordens de subscrição recebidas, foram contempladas 16.571, correspondentes a 11.264 investidores que passaram a integrar a estrutura accionista da Unitel.
Dos 15% do capital disponibilizados, 2% foram reservados aos trabalhadores da empresa e 13% destinados ao público em geral.
A operação representou também um marco para o mercado de capitais angolano, ao permitir a entrada de milhares de novos investidores e a negociação das acções da maior operadora de telefonia móvel do país em bolsa.
A Unitel era anteriormente detida em partes iguais pelo Estado, através do IGAPE, e pela Sonangol. A actual estrutura accionista resultou de alterações ocorridas nos últimos anos, incluindo a aquisição, pela Sonangol, da participação da PT Ventures e a nacionalização das participações anteriormente detidas pela Vidatel e pela Geni.
Para Pedro Cajama, a capacidade de recuperação das acções após o período de instabilidade demonstra a importância da informação prestada pelas empresas cotadas e da confiança dos investidores na continuidade das suas operações.
O economista considera que a evolução dos títulos da Unitel deve continuar a ser acompanhada pelo mercado, sobretudo num contexto em que a empresa procura normalizar os serviços depois do ataque cibernético.
A recuperação das acções poderá, assim, contribuir para reforçar a confiança dos investidores e consolidar o papel da BODIVA como plataforma de financiamento e investimento no mercado angolano.