A circulação de medicamentos falsificados continua a representar uma das maiores ameaças à saúde pública em Angola, com especialistas a defenderem o reforço urgente da fiscalização do mercado farmacêutico para travar a entrada e comercialização de produtos sem qualidade e potencialmente perigosos.
O alerta foi lançado durante o programa Capital Central, da Rádio Correio da Kianda, pelo especialista em Saúde Pública e Gestão Hospitalar, Jeremias Agostinho. Segundo o especialista, cerca de 50% dos medicamentos em circulação no país são contrafeitos, citando dados apresentados pela directora da Agência Reguladora de Medicamentos e Tecnologias de Saúde (ARMED).
Jeremias Agostinho explicou que os medicamentos falsificados não obedecem aos padrões de fabrico e qualidade exigidos, podendo conter doses inadequadas dos princípios activos, substâncias sem efeito terapêutico ou mesmo componentes prejudiciais à saúde. Como consequência, os pacientes ficam expostos ao agravamento das doenças, ao insucesso dos tratamentos e ao aumento da resistência a determinados medicamentos.
Para o especialista, a situação exige uma resposta coordenada das autoridades, com maior rigor na fiscalização das fronteiras, no controlo da cadeia de distribuição e na inspecção de farmácias e estabelecimentos de venda de medicamentos. Defendeu ainda campanhas de sensibilização para alertar os cidadãos sobre os riscos da aquisição de medicamentos em locais não autorizados.
Durante o debate, o sociólogo Agostinho Paulo procurou esclarecer que a existência de medicamentos falsificados não deve ser associada à produção farmacêutica legítima da Índia. Recordou que o país asiático continua entre os maiores produtores mundiais de medicamentos, albergando empresas reconhecidas internacionalmente pela qualidade dos seus produtos e pelo cumprimento das normas internacionais de fabrico.
Os especialistas defenderam igualmente o fortalecimento das instituições reguladoras e da cooperação entre os órgãos de fiscalização, profissionais de saúde e operadores do sector farmacêutico, considerando que o combate à contrafacção de medicamentos é uma responsabilidade colectiva e um passo indispensável para garantir tratamentos eficazes e proteger a vida dos cidadãos.