O alegado assalto ao gabinete do líder do partido Chega, André Ventura, na Assembleia da República de Portugal, está a suscitar forte polémica e dúvidas entre os deputados. O caso ganhou novos contornos após a divulgação de imagens de videovigilância que levantam suspeitas sobre a veracidade do incidente, colocando sob investigação a actuação de membros do próprio partido.
O caso começou quando André Ventura partilhou um vídeo nas suas redes sociais mostrando o seu gabinete desordenado, com papéis espalhados pelo chão e armários revirados. O líder partidário denunciou publicamente o que considerou ser um acto de intimidação e condicionamento político. Segundo Ventura, foram roubados documentos confidenciais relacionados com o caso Luís Neves e informações políticas ligadas ao gabinete do primeiro-ministro português, Luís Montenegro.
A desordem no gabinete foi inicialmente detectada por uma funcionária da limpeza, que alertou de imediato a Guarda Nacional Republicana. No entanto, as autoridades constataram que a porta de entrada não apresentava quaisquer sinais de ter sido forçada, o que levantou as primeiras interrogações sobre como ocorreu o acesso ao espaço de trabalho do deputado.
Imagens de videovigilância introduzem novas dúvidas
A investigação policial em curso obteve acesso às imagens de videovigilância da Assembleia da República. Os registos mostram o deputado Francisco Gomes, também do partido Chega, a entrar nas instalações do Parlamento por volta das sete horas da manhã do dia do incidente. Confrontado com estas informações, o deputado justificou a sua presença precoce com a necessidade de gravar um vídeo para a plataforma digital TikTok, alegando ainda que aquela é a sua hora habitual de chegada ao trabalho.
Fontes ligadas ao processo de investigação revelaram que a porta do gabinete de André Ventura permaneceu aberta durante toda a noite anterior ao incidente. Esta revelação gerou críticas e questionamentos por parte de outros parlamentares, que consideram contraditório o facto de documentos classificados como altamente confidenciais terem sido deixados num local sem a devida protecção e com a porta destrancada.
Reacções e procedimento das autoridades de segurança
O Parlamento português encontra-se actualmente no período de férias de Verão, o que torna a movimentação invulgar de deputados ainda mais visada pelos investigadores. O sistema de segurança da Assembleia da República garante uma vigilância contínua, incluindo rondas nocturnas permanentes, sendo que nenhum agente de segurança reportou qualquer actividade suspeita durante o período em que o gabinete terá ficado aberto.
O caso permanece sob a alçada das autoridades policiais competentes, que procuram agora determinar se se tratou de uma intrusão real com contornos políticos ou se os acontecimentos foram deliberadamente encenados, numa altura em que o debate político em Portugal se mantém sob forte tensão.
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