A petrolífera portuguesa Galp admite regressar às actividades de exploração e produção de petróleo em Angola. A empresa está a analisar diversas oportunidades no mercado nacional, embora ainda não tenha tomado qualquer decisão concreta sobre novos investimentos no sector energético do país.
A revelação foi feita pelos co-presidentes executivos da empresa, que confirmaram a existência de um levantamento de oportunidades em curso. Em 2024, a Galp alienou os seus activos de exploração e produção que detinha em Angola, mantendo actualmente apenas as operações no segmento de distribuição e comercialização de combustíveis. Contudo, a forte ligação histórica e o conhecimento do mercado motivam esta nova avaliação estratégica.
Relação de proximidade com a Sonangol
O co-CEO João Diogo Marques da Silva sublinhou que a hipótese de regressar a Angola é real, realçando o conforto da empresa com a geografia angolana, onde a sua actividade de exploração teve início há várias décadas. A petrolífera mantém uma relação de grande proximidade com as autoridades locais e com a Sonangol, a petrolífera estatal angolana.
Por sua vez, a co-CEO Maria João Carioca explicou que a Galp analisa de forma contínua activos que permitam sustentar os seus níveis de crescimento e produção de hidrocarbonetos. O foco da empresa está direccionado para a Bacia Atlântica do Sul, uma área que engloba Angola e onde a petrolífera possui vasta experiência. Qualquer decisão de investimento futuro estará sujeita ao enquadramento nas prioridades estratégicas e à solidez financeira da empresa.
Recentemente, o presidente do Conselho de Administração da Sonangol, Sebastião Gaspar Martins, já tinha sinalizado o interesse da Galp em retomar as actividades de exploração no país durante um fórum económico. Importa referir que a Sonangol é accionista indirecta da Galp através da Esperaza Holding, que detém uma participação na Amorim Energia.
No primeiro semestre deste ano, a Galp registou um crescimento de 44% nos seus lucros, atingindo os 812 milhões de euros, impulsionada pelo desempenho da produção no Brasil e pela valorização do preço do barril de Brent no mercado internacional. Este cenário financeiro favorável reforça a capacidade da empresa para avaliar novos investimentos na região subsaariana.