O Arcebispo Metropolitano de Luanda, Dom Filomeno Vieira Dias, defendeu esta quinta-feira, 17, na sessão de abertura da 3.ª Iniciativa da Aliança das Civilizações das Nações Unidas, o regresso ao multilateralismo e à cultura de diálogo como caminho para a paz mundial.
À margem do evento, o cardeal angolano afirmou que o evento “permite medir o pulso” e perceber a actualidade do debate sobre a convivência entre os povos.
Dom Filomeno, destacou que se trata de uma iniciativa das Nações Unidas que encontrou “acolhimento, anuência e cooperação em Angola” e que, pela primeira vez, é realizada no continente africano. Os dois encontros anteriores ocorreram na Europa.
Para o Arcebispo, o mundo vive um período de grande preocupação com o que chamou de “desmontar do figurino das relações internacionais” construído no pós segunda guerra Mundial.
“Há uma tentativa de inverter a ordem internacional. Já não pelo diálogo, já não pela busca do consenso, já não pelo respeito dos direitos fundamentais da Carta das Nações Unidas, mas procurando fazer prevalecer a lei do mais forte, o desrespeito pelos outros povos, pelos povos mais fragilizados”, declarou.
O prelado saudou vozes como a do Presidente José Ramos-Horta, de Timor-Leste, que defendeu que “o mundo somos todos nós” e rejeitou o “unilateralismo imperialista, impostor e dominante”.
“Nós vamos voltar ao multilateralismo, à capacidade da harmonia e busca do consenso entre os povos”, afirmou.
Dom Filomeno Vieira Dias sublinhou ainda que a paz é um elemento essencial a nível antropológico.
“O homem precisa da paz. Todos os homens e mulheres desejam viver em paz. Não há desenvolvimento sem paz, não há harmonia social sem paz. E também sem equilíbrio social, não temos só paz”, concluiu.
O cardeal considerou “muito bom” para Angola e para o mundo a presença no encontro de pessoas de “várias tendências e sensibilidades religiosas”, por ser “o serviço que prestamos à humanidade”.