Os restos mortais de 16 antigos combatentes portugueses, que faleceram durante a guerra colonial no município do Bembe, província do Uíge, serão exumados no próximo mês de Setembro. A acção enquadra-se na “Operação Embondeiro”, uma iniciativa da Liga dos Combatentes de Portugal que visa garantir um sepultamento condigno aos militares que perderam a vida em combate entre os anos de 1962 e 1964, no antigo sector do Tôto.
Segundo o coordenador da missão e vogal da Direcção Central da Liga Portuguesa em Angola, Coronel na reserva Carlos Batalha da Silva, foram já identificados 16 remanescentes físicos dos 37 previstos na região. Após a exumação, as ossadas serão temporariamente concentradas nos cemitérios de Santa Ana e do Alto das Cruzes, em Luanda, antes da sua posterior transladação e sepultamento definitivo.
Desde o início dos trabalhos em 2019, a operação já permitiu a exumação de 503 restos mortais em território angolano, restando ainda cerca de 300 por exumar. Na província do Uíge, a equipa já desenvolveu trabalhos semelhantes nos municípios da Damba, Mucaba, Maquela do Zombo e Dange-Quitexe, demonstrando o empenho contínuo na localização e identificação destes antigos militares.
Cooperação bilateral e diplomacia equilibrada
O Coronel Carlos Batalha da Silva manifestou a sua profunda satisfação pelo apoio prestado pela Administração Municipal do Bembe e pelo Executivo angolano. O responsável sublinhou que este esforço conjunto reflecte uma diplomacia equilibrada e de respeito mútuo entre Angola e Portugal. A iniciativa visa, acima de tudo, prestar um reconhecimento aos compatriotas que tombaram no cumprimento do dever militar em solo angolano.
Por sua vez, o administrador municipal do Bembe, Matondo André Macaia, destacou o significado humanitário do momento. Macaia referiu que a hospitalidade oferecida a esta missão constitui um exercício de cidadania e de respeito pelas normas internacionais que regem as relações de cooperação e solidariedade entre as nações.
Perspectivas futuras e armazenamento no Huambo
Para assegurar a preservação digna das ossadas, a Liga Portuguesa em Angola prevê dialogar com o Governo Provincial do Huambo para a construção de ossários nos próximos dois anos. Esta infra-estrutura pretende garantir um armazenamento sólido e adequado para os restos mortais recuperados naquela região do planalto central.
O acto de apresentação dos resultados da missão contou com a presença de membros da administração local, autoridades tradicionais, representantes das forças de defesa e segurança, além de oficiais superiores de ambas as nações, reforçando o carácter solene e a importância histórica da iniciativa para a preservação da memória colectiva.