Reino Unido planeia recolher obrigatório digital para adolescentes nas redes sociais – Correio da Kianda

O Governo britânico planeia introduzir um recolher obrigatório digital, por defeito, a partir da meia-noite, para jovens de 16 e 17 anos, limitando o acesso a aplicações de redes sociais até às seis horas da manhã. A medida visa combater os efeitos nocivos destas plataformas na saúde mental e física dos adolescentes, promovendo hábitos de sono mais saudáveis e maior foco nos estudos.

De acordo com a nova proposta de salvaguarda, os utilizadores desta faixa etária terão o acesso às plataformas bloqueado entre a meia-noite e as seis horas da manhã, a menos que alterem manualmente as configurações de fábrica das aplicações. Adicionalmente, as funcionalidades concebidas para manter os utilizadores activos no ecrã, como a reprodução contínua de conteúdos, serão desactivadas por defeito nesta faixa horária.

A iniciativa surge um mês após o anúncio de um plano para proibir totalmente o acesso às redes sociais para menores de 16 anos. O Governo britânico salienta que estas restrições reflectem uma preocupação global crescente de pais e legisladores sobre o impacto negativo das plataformas digitais no desenvolvimento dos jovens.

Responsabilização das empresas de tecnologia

O ministro da Segurança Online, Kanishka Narayan, afirmou publicamente que as empresas tecnológicas serão legalmente obrigadas a implementar este recolher obrigatório. O governante assegurou que as multinacionais do sector têm a responsabilidade de realizar controlos de idade muito mais robustos, sob pena de enfrentarem sanções regulatórias severas em caso de incumprimento.

Por sua vez, a ministra da Tecnologia, Liz Kendall, reforçou a importância do projecto, sublinhando que as medidas serão cruciais para ajudar os jovens a obter o repouso necessário, a concentrarem-se nas actividades escolares e académicas, e a passarem mais tempo de qualidade com a família e amigos.

Críticas e desafios na implementação

Apesar das intenções do executivo, o plano já enfrenta críticas da oposição política. A responsável pela política de educação do Partido Conservador, Laura Trott, classificou a proposta como confusa, argumentando que um recolher obrigatório que os próprios jovens podem desactivar facilmente nas definições não trará resultados práticos significativos.

Historicamente, a implementação de barreiras de idade tem-se revelado um desafio complexo. Relatórios de aconselhamento na Austrália, o primeiro país a avançar com uma proibição total para crianças, indicam que as plataformas digitais enfrentam sérias dificuldades técnicas logo na fase inicial de verificação de idade, o que pode comprometer a eficácia das leis.

O primeiro conjunto de regulamentações deverá ser apresentado ao parlamento britânico até ao final do ano, com a expectativa de que as novas regras entrem em vigor na primavera do próximo ano.

Conteúdo original extraído de Reuters.

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